O projeto de interiorização da Universidade Federal de Alagoas é brilhante: ofertar educação superior não apenas nas grandes cidades, como também no interior.
Acreditamos que a oferta no interior seria priorizar os estudantes que não têm condição de se manter na cidade grande, bem como se deslocar do interior à capital, por exemplo.
A fala do Prof. Cícero Albuquerque, que sairá na edição de lançamento do Jornal Universitário, ilustra bem o que aqui tentamos colocar: "Celebrações feitas, é preciso ir adiante e refletir um pouco mais sobre esse processo. A interiorização é um processo rico e contraditório. Sintonizada no conjunto da universidade pública, ela é marcada por uma série de possibilidades, mas também apresenta graves precariedades."
As nossas comemorações em ter ensino público superior no interior não são suficientes para que nos calemos. A precariedade com que o mesmo é ofertado não nos permite uma formação de qualidade.
Hoje iniciaremos uma série de comentários, inclusive aberta aos leitores que quiserem opinar, sobre as questões que ameaçam a formação na Unidade de Palmeira dos Índios. Nesta, enfatizaremos a assistência estudantil.
Para iniciar o assunto, é preciso falar da incompletude do Núcleo de Assistência Estudantil (NAE): as demandas existentes são grandes, mas na Unidade, o NAE possui apenas uma assistente social que realiza todo o trabalho encaminhado para o setor. Não possuímos acompanhamento psicológico ofertado pelo setor (o que segundo o PDI deveria existir), bem como não há um profissional responsável pelo administrativo do setor (encaminhamento de frequências dos bolsistas, por exemplo). Resultado: sobrecarga de trabalho e, em conseguinte, serviço incompleto.
Além das lacunas existentes no NAE para que haja de fato assistência estudantil, vamos colocar aqui fatos:
Suponhamos que um estudante da cidade de Santana do Ipanema (apenas uma ilustração) precise ficar na Unidade de Palmeira dos Índios para cumprir a carga horária da bolsa Pró-graduando, este precisa pagar passagens de retorno para a sua cidade, almoço (ou comer algum lanche qualquer, pois o dinheiro não é suficiente) e, ao final do mês, dos R$ 400,00 recebidos, quanto vai para a permanência do estudante? Para as apostilas? Livros? Participação de congressos ou eventos?Nenhuma das unidades do interior da UFAL possui residência universitária ou restaurante. Maceió possui os dois e ainda mantém a bolsa Pró-graduando. Ou seja: a maior parte da bolsa dos estudantes do interior é destinada apenas para a permanência na própria bolsa, enquanto na capital, os estudantes podem fazer melhor uso do dinheiro. Bom para os estudantes da capital, mas os estudantes do interior precisam de um olhar diferenciado, já que as suas necessidades também são.
Por falar nisso, todos sabem das necessidades dos estudantes do interior, dentre elas e as que cabem neste comentário: uma melhor composição e assistência do NAE e o fornecimento de auxílio alimentação (mesmo com bolsa, já que não possuímos restaurante universitário) e é por esta razão que não podemos nos calar, uma vez que temos de passar pela dificuldade de locomoção, além de tentar um equilíbrio que não cabe no bolso, conciliando alimentação com outras necessidades existentes.
É preciso ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL de qualidade. Chega de "setores fantasia" na Universidade! Chega da existência por existir! É preciso o cuidado com a permanência do estudante, além da garantia de formação de qualidade.

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