quinta-feira, 21 de maio de 2015

CENTRO ACADÊMICO REALIZA SEU PRIMEIRO EVENTO VOLTADO PARA A SAÚDE MENTAL

A luta contra as práticas desumanas aos portadores de sofrimento psíquico teve seu início no Brasil apenas em 1987, com o surgimento do movimento de Luta Antimanicomial, no II Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, Bauru - SP. Desde sua gênese, com o apoio do Conselho Federal de Psicologia, em 18 anos foram conseguidas vitórias significativas como: a instauração da lei 10.216/2001, que garante aos portadores de sofrimento psíquico direitos e proteção. Porém, ainda há muito a ser feito: se antes os tratamentos eram desumanos por serem ministrados "mecanismos de tortura", hoje esses tratamentos não deixaram de ser desumanos e adoecedores.  
Partindo desse pressuposto, na última quarta-feira do dia 20 de maio, houve uma mesa-redonda como parte da Semana de Luta Antimanicomial, na cidade de Palmeira dos Índios – AL, para que fossem debatidas formas de humanização em instituições de Saúde Mental. O evento teve início com o documentário “Em Nome da Razão” (Helvécio Ratton, 1979), mostrando as condições precárias em que viviam os pacientes internados no Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, e alertando que práticas como essas continuam sendo aplicadas. Posteriormente, a assistente social Hozana Alves de França, falou sobre a Reforma Psiquiátrica e Inserção do Serviço Social nas Políticas de Saúde, relatando vivências, lutas já presenciadas e preconizando as lutas que ainda hão de vir. Em sua fala, Hozana enfatizou o valor da militância e da inserção de diversos profissionais nessa causa. A fala do psicólogo Marcos Leandro da Silva iniciou-se de forma descontraída, fazendo com que os presentes entendessem as mazelas no sistema de Cuidados com Dependentes Químicos. Logo em seguida, Marcos falou sobre o papel do psicólogo na “humanização” desses indivíduos, que muitas vezes são deixados à margem da sociedade. Por fim, a psicopedagoga Veralúcia Monteiro Montenegro, tratou a relevância da interação de profissionais – de diversas áreas do conhecimento – para efetividade no processo de intervenção às práticas de injustiça no sistema de saúde.
No período da tarde, o evento contou com a presença dos usuários do CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) e também com os usuários do CAPS II Dr. Osvaldo Silva. O momento foi iniciado com uma roda de conversa mediada por Hozana França e com a presença de falas dos próprios usuários relatando suas experiências, tanto passadas quanto atuais no CAPS. Posteriormente, houve a apresentação de paródias e poesias elaboradas pelos usuários do CAPS AD e, em seguida, apresentou-se o coral Asas da Liberdade do CAPS II. O evento também contou com a venda de artesanatos confeccionados pelos próprios usuários das duas instituições.
O evento foi encerrado com muita emoção e a certeza de que momentos como esse são mais do que importantes: são necessários. Enquanto futuros profissionais de Psicologia e de Serviço Social, precisamos pensar nossas práticas e atuações, e elas não devem ser questionadas e construídas apenas quando da inserção no mercado de trabalho. É crucial que analisemos de forma crítica a nossa atuação para que, de maneira ética, possamos contribuir para a garantia de direitos, promoção da saúde e para que tenham voz aqueles que são calados o tempo todo. 
Confira todas as fotos do evento clicando aqui.

Matéria: Clariana Rodrigues, Elton SDL, Jadiel da Silva e Liliane Santos | Fotos: Aryana Lorraynne

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