segunda-feira, 18 de maio de 2015

O 18 DE MAIO E A HUMANIZAÇÃO DAS POLÍTICAS DE SAÚDE MENTAL

Hoje, 18 de Maio, é o dia Nacional da Luta Antimanicomial, uma luta que vem sendo travada há quase três décadas e que, embora tenha conseguido melhorias, ainda é preciso prosseguir. Vivemos em uma sociedade onde a medicação dos pacientes e a rotulação é feita diariamente: criamos estigmas e lugares marcados onde cada um "deve estar" e ensinamos os nossos filhos e alunos a fazerem o mesmo. Olhamos para pessoas que não se comportam "de forma adequada" e as chamamos de loucas. Criamos espaços para jogá-las com fome, frio/calor, e medicamentos, para garantir o silêncio do local. Fizemos isso no Hospital Psiquiátrico de Barbacena e hoje, infelizmente, ainda temos lugares que funcionam da mesma maneira.

Gritamos por uma sociedade livre e igual, mas contribuímos para que ações como essas se perpetuem, seja reproduzindo-as, seja através do silêncio - afinal, calar é uma forma de contribuir para a ordem vigente. A reforma psiquiátrica surge, então, como um basta aos manicômios e tratamentos desumanos a uma parcela da sociedade: ela aparece para pensar uma nova política de saúde mental que inclua o usuário, a família, a equipe e principalmente a sociedade, repensando as práticas dos profissionais que atuam (ou não) nesse campo. E a Universidade tem o seu papel. Papel que vai além da mera formação de profissionais, mas, antes, formar cidadãos políticos, críticos, que pensem na sua atuação e que possam, eticamente, contribuir para a garantia de direito dos seus usuários.


É tendo em vistas essa formação crítica e política que o Centro Acadêmico Afonso Lisboa, juntamente com o PET NESAL, vem convidar os interessados a pensarem conosco a humanização das políticas de saúde mental e a atuação desses profissionais no espaço que é fruto da reforma psiquiátrica - o Centro de Atenção Psicossocial.


Que o dia 18 de maio seja um dia onde a sociedade possa, então, refletir: refletir sobre como tratamos aqueles que eram internados e refletir hoje como estamos contribuindo para uma prática psicossocial melhor e mais humana.

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