terça-feira, 11 de agosto de 2015

NO DIA DO ESTUDANTE, COMEMORAR O QUÊ?

Depois de alguns anos me dividindo entre vida profissional e estudantil, decidi deixar o trabalho, abrir mão do berço familiar e da minha cidade natal e me dedicar apenas à vida de estudante. Não é nenhuma novidade que curso Psicologia e que este foi um curso que, embora aprovado nos três últimos processos seletivos do Enem, só em 2013 a coragem e o sonho falou mais alto que o medo e a sensatez. 
Conhecer a realidade do interior de um estado com índices altíssimos de violência e uma universidade com um projeto de interiorização teoricamente belíssimo, mas que na realidade é desafiador, foi um choque. Conhecer gente nova, simples, acolhedora..., conhecer uma cultura alheia, comportamentos diversos não deixou de ser também um choque.
Neste 11 de agosto de 2015, mais que nunca eu me sinto estudante. Só estudante. E estudante que não se limita às salas de aula, e, por esta razão mal visto por uns que resolvem ditar as suas regras e esperar que todos se adequem, mas a forma como eu sou visto além de não ser relevante para mim, não está em jogo aqui. Hoje me vejo mais envolvido nesta formação que em qualquer outra que me propus. Sou presidente de um centro acadêmico, gosto de exercer a minha criticidade e acreditar que as grandes mudanças por vir, dependerão daquilo que estou me tornando, mas, sobretudo, da forma como estou "me formando".
Nesta semana, estava prevista a chegada de novos estudantes na Universidade Federal de Alagoas, unidade educacional de Palmeira dos Índios, de novos sonhadores, de outras pessoas que abriram mão de algumas coisas para lutar por um futuro melhor, e quando eu falo em futuro melhor não falo em ganhar dinheiro e ter um bom trabalho. Isso também. Mas a "formação" que a Universidade propõe deve ir mais além: precisa perpassar os ideais capitalistas e atingir uma visão de uma sociedade mais justa, de humanos conscientes da sua condição e do seu poder.
A greve não permite comemorações, mas faz com que possamos refletir: se comemorássemos, comemoraríamos o quê? Comemorar a política nacional que se propõe a ser uma pátria educadora, mas com educação passando por cortes significativos de verbas? Comemorar o descaso com os que dependem das bolsas para pagamentos de suas despesas? Comemorar a precarização da carreira docente? Ou comemorar a falta de comprometimento da sociedade com nós estudantes?
Eu não sei e não tenho, de fato, o que comemorar. Também não poderia aqui deixar um "feliz dia", já que este dia muito me preocupa. Por esta razão, vou desejar que mais estudantes estejam dispostos a lutar pelos seus direitos, que haja sempre mais estudantes, isso porque sei que uma sociedade mais justa, com bases sólidas se constrói com gente que embasa a sua visão no conhecimento e com isso, passa a enxergar a sua capacidade e poder de mudança.
• Por Joanir de Queiroz - Presidente do Centro Acadêmico Afonso Lisboa, Gestão Integração.

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